Bolas de Sabão. Nâo é talvez a primeira imagem que possa ocorrer a quem fala no nome do espanhol Alex Under. E no entanto, ao lermos o título do seu novo álbum (La Maquina de Bolas, acabado de lançar na histórica Soma Records dos escoceses Slam), e ao escutarmos o seu conteúdo, esta metáfora parece formar-se com algum sentido. Tal como bolas de sabão, as faixas que o constituem parecem procurar, aparentemente frágeis mas desafiadoramente resistentes, a sua liberdade a partir de um dado ponto, em direcção à atmosfera, numa toada decididamente ambient.
Mas a referência mecânica do seu título permite antever algo mais : para lá da sua superfície colorida, caleidoscópica, translúcida e irisada, há um pulsar, que tanto tem de mecânico como da alma de quem as produziu. Um batimento que, por muito que aparente ser ligeiro à superfície, contém ainda todos os sinais que tornaram Alex Under num dos mais consistentes nomes e curriculums do techno minimal de anos recentes, uma pulsação que certamente se sentirá, e sentiremos, ainda mais intensamente, na pista do Lux.
Nuno Mendonça